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CLT x PJ: comparativo completo de salário, impostos e benefícios (2026)

Quanto sobra no bolso em cada regime, o que você perde ao trocar a carteira assinada pela nota fiscal — e a conta que coloca as duas propostas na mesma régua.

Balança comparando CLT e PJ
Arte: Consulta Inscrição

"Te pago R$ 8 mil na CLT ou R$ 10 mil no PJ — o que você prefere?" Essa conversa acontece todos os dias no Brasil, e a resposta errada custa caro. CLT e PJ não são apenas dois números: são dois pacotes completamente diferentes de direitos, custos e riscos. Este guia mostra como colocar os dois na mesma régua.

A diferença entre CLT e PJ

Na CLT, você é empregado: tem carteira assinada, os direitos trabalhistas garantidos por lei e os descontos de INSS e IRRF direto na folha. No modelo PJ, você presta serviço através de uma empresa sua (em geral uma SLU ou LTDA no Simples Nacional): recebe pelo valor cheio da nota fiscal e assume, por conta própria, os impostos, o contador e a provisão de tudo o que a CLT garantiria.

O que você recebe (e desconta) na CLT

O pacote CLT vai muito além do salário:

  • 13º salário (+8,33% ao ano) e férias remuneradas com 1/3 (+11,11%);
  • FGTS: 8% do salário depositado todo mês pelo empregador (+ multa de 40% em demissão sem justa causa);
  • INSS patronal pago pela empresa, contagem cheia para aposentadoria;
  • Seguro-desemprego, aviso prévio e estabilidades em situações específicas;
  • Benefícios usuais: plano de saúde, VR/VA, vale-transporte.

Em contrapartida, os descontos de INSS (7,5% a 14%, progressivo) e IRRF (até 27,5%) saem da fonte — o líquido que cai na conta é visivelmente menor que o bruto.

O que o PJ paga de impostos e custos

Quem recebe como PJ no Simples Nacional tem três custos principais:

  • Simples Nacional: serviços em geral começam em 6% do faturamento (Anexo III) ou 15,5% (Anexo V). O que define o anexo, para muitas atividades, é o Fator R: se a folha de pagamento (incluindo o seu pró-labore) for ≥ 28% da receita, a tributação cai para o Anexo III. Veja o anexo da sua atividade na página do seu CNAE;
  • INSS sobre o pró-labore: 11% sobre a retirada (no mínimo sobre o salário mínimo) — é o que conta para a sua aposentadoria;
  • Contador: a mensalidade de uma empresa de serviços no Simples costuma ficar entre R$ 200 e R$ 600.
💡 Exemplo rápido: faturando R$ 10.000/mês no Anexo III com pró-labore otimizado para o Fator R, a carga total (Simples + INSS do pró-labore + contador) costuma ficar na casa de 12% a 16% — por isso o PJ "parece" ganhar mais. A conta muda no Anexo V e sem planejamento.

Como comparar propostas CLT x PJ

Para comparar de igual para igual, transforme o pacote CLT em valor mensal total:

  • Salário bruto + 8,33% (13º) + 11,11% (férias + 1/3) + 8% (FGTS) = fator ~1,27 sobre o bruto;
  • Some o valor mensal dos benefícios (plano de saúde, VR/VA…);
  • Do lado PJ, pegue o valor da nota e subtraia Simples, INSS do pró-labore, contador e a provisão de férias/inatividade que você mesmo terá de fazer.

É dessa conta que sai a regra prática do mercado: o PJ precisa receber em torno de 25% a 40% a mais que o salário CLT para empatar o pacote.

Tabela comparativa rápida

CLTPJ (Simples)
13º e férias remuneradas✓ Garantidos✗ Provisão própria
FGTS + multa✓ 8%/mês✗ Não há
Seguro-desemprego
Imposto sobre a rendaINSS + IRRF até 27,5% na fonteSimples ~6% a 15,5% + INSS do pró-labore
Plano de saúde/VRComumPor sua conta
Liberdade de clientes/horáriosLimitadaAmpla (sem subordinação)
BurocraciaNenhumaEmpresa, notas, contador

Quando cada regime vale mais a pena

CLT tende a ganhar quando a diferença de valores é pequena (menos de ~25%), quando os benefícios são robustos, ou quando estabilidade e simplicidade pesam mais para o seu momento de vida — financiamento imobiliário, por exemplo, é mais fácil de aprovar com holerite.

PJ tende a ganhar quando a remuneração oferecida é 30%+ maior, quando a atividade cai no Anexo III (ou alcança o Fator R), e quando você tem disciplina para provisionar férias, inatividade e aposentadoria por conta própria. É também o único caminho quando se atende vários clientes.

Um alerta final: PJ com cara de emprego — horário fixo, chefe, exclusividade — é a "pejotização" irregular, e a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo. A modalidade é excelente quando a relação é, de fato, entre empresas.

Perguntas frequentes

Quanto a mais o PJ precisa ganhar para compensar a CLT?

Uma regra prática de mercado é que a remuneração PJ precisa ser cerca de 25% a 40% maior que o salário CLT para compensar a perda de 13º, férias remuneradas, FGTS e demais benefícios — o percentual exato depende dos benefícios do emprego CLT e dos custos do PJ (contador, impostos, INSS).

Quanto de imposto paga um PJ de serviços?

No Simples Nacional, serviços em geral começam em 6% (Anexo III) ou 15,5% (Anexo V) sobre o faturamento, dependendo da atividade e do Fator R (relação entre folha de pagamento e receita). Além do Simples, há o INSS sobre o pró-labore e os honorários do contador.

PJ tem direito a férias e 13º?

Não. Férias remuneradas, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e aviso prévio são direitos do vínculo CLT. O PJ precisa provisionar por conta própria esses valores no preço dos seus serviços.

A empresa pode me contratar como PJ no lugar de CLT?

A contratação PJ é legal quando não há os elementos do vínculo empregatício (subordinação, habitualidade, pessoalidade e salário fixo). Se na prática a relação funciona como emprego, a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo CLT — a chamada "pejotização" irregular.

Qual CNAE usar para trabalhar como PJ de tecnologia?

Atividades comuns incluem 6201-5/01 (desenvolvimento de programas sob encomenda), 6202-3/00 (desenvolvimento e licenciamento de softwares customizáveis) e 6204-0/00 (consultoria em TI). O CNAE correto depende do serviço efetivamente prestado.

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Frederico Ferreira Barbosa — Fundador do Consulta Inscrição. O Consulta Inscrição reúne dados públicos de mais de 60 milhões de empresas e ferramentas gratuitas para o dia a dia de quem empreende no Brasil.

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